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Percentagem de Gordura Corporal: Tabela

Percentagem de gordura corporal: tabelas de referência por sexo, como calcular com bioimpedância, dobras e DEXA, e porque é melhor que o IMC.

Por João Guedes·8 de junho de 2026·Atualizado: Ligação interna: link contextual para ganhar-massa-muscular na secção percentagem de gordura ou IMC (calculadora-gordura-corporal já presente na introdução)·12 min read·Equipa Editorial Ovio
Conteúdo verificado pela Equipa Editorial Ovio com base em evidência científica (PubMed, DGS, EFSA). Saber mais sobre quem somos.

Resumo rápido: A percentagem de gordura corporal é a fração do peso que é tecido adiposo. Segundo o ACE, a faixa de fitness é 14 a 17% nos homens e 21 a 24% nas mulheres. Mede-se por bioimpedância, dobras cutâneas, DEXA ou circunferências, e é mais útil que o IMC para quem treina.

O peso na balança engana. Dois corpos com o mesmo peso podem ser completamente diferentes por dentro. O que distingue um do outro é a percentagem de gordura corporal.

Esta métrica diz-te quanto do teu peso é gordura e quanto é músculo, osso e água. Para teres uma estimativa imediata, usa a Calculadora de Gordura Corporal da Ovio, que aplica o método da Marinha dos EUA com as tuas medidas. Este artigo explica o que o IMC não consegue ver: a composição do corpo, como a medir, e que valores fazem sentido para quem treina.

O que é a percentagem de gordura corporal?

A percentagem de gordura corporal é a fração do peso total do corpo que corresponde a tecido adiposo, sendo o resto massa magra: músculo, osso, água e órgãos. Uma pessoa de 80 kg com 20% de gordura tem 16 kg de gordura e 64 kg de massa magra.

Esta gordura divide-se em duas categorias. A gordura essencial é a quantidade mínima necessária para funções vitais como hormonas, proteção dos órgãos e regulação da temperatura. A gordura de armazenamento é a que se acumula como reserva de energia e a que se reduz num défice calórico.

Segundo o American Council on Exercise, os dois tipos têm valores mínimos diferentes por sexo (ACE):

  • Gordura essencial nos homens: 2 a 5% do peso corporal
  • Gordura essencial nas mulheres: 10 a 13% do peso corporal
  • Diferença por sexo: as mulheres têm mais gordura essencial por razões hormonais e reprodutivas

É por isso que comparar a percentagem de gordura de um homem com a de uma mulher usando o mesmo número não faz sentido. As faixas saudáveis são diferentes desde a base.

A percentagem de gordura corporal é a fração do peso que é tecido adiposo, com gordura essencial mínima de 2 a 5% nos homens e 10 a 13% nas mulheres (ACE).

Quais são os valores de referência por sexo?

Os valores de referência da percentagem de gordura corporal organizam-se em faixas que vão da gordura essencial à obesidade, com limiares diferentes para homens e mulheres. As mais usadas são as do American Council on Exercise, que classificam a composição corporal em cinco categorias.

Tabela de referência do American Council on Exercise (ACE):

CategoriaHomensMulheres
Gordura essencial2 a 5%10 a 13%
Atletas6 a 13%14 a 20%
Fitness14 a 17%21 a 24%
Aceitável18 a 24%25 a 31%
Obesidadeacima de 25%acima de 32%

Estes limiares são consistentes com os critérios do American College of Sports Medicine, que classifica como obesidade a partir de 25% nos homens e 32% nas mulheres no escalão dos 20 aos 29 anos (ACSM). A percentagem considerada saudável tende a subir ligeiramente com a idade.

Na prática: Um homem de 30 anos com 22% de gordura está dentro da faixa aceitável do ACE, mas longe da faixa de fitness onde se começa a ver definição. Para esse caso, o objetivo realista é descer aos 14 a 17%, não perseguir os 8% de um fisiculturista em competição, que não é sustentável nem saudável para a maioria.

Segundo o ACE, a faixa de fitness é de 14 a 17% nos homens e de 21 a 24% nas mulheres, com obesidade a partir de 25% e 32% respetivamente (ACE).

Como calcular a gordura corporal?

A gordura corporal calcula-se por vários métodos, que diferem bastante em fiabilidade e custo. Nenhum método caseiro é perfeito, mas todos servem para acompanhar a tendência ao longo do tempo se forem usados de forma consistente.

Os quatro métodos mais comuns são:

  1. Bioimpedância (balanças e aparelhos de mão): acessível mas com margem de erro grande, descrita na secção seguinte
  2. Dobras cutâneas com adipómetro: mais fiável quando feita por um profissional, usa o método Jackson-Pollock
  3. DEXA (densitometria): o padrão de referência prático, feito em clínica
  4. Método de circunferências da Marinha dos EUA: estimativa com fita métrica em casa

O método Jackson-Pollock mede a espessura de várias dobras de pele em locais padronizados e converte a soma numa estimativa de densidade corporal, validada originalmente em 308 homens dos 18 aos 61 anos com correlação superior a 0,90 face à pesagem hidrostática (Jackson e Pollock, 1978). O método da Marinha dos EUA usa o pescoço e a cintura nos homens, mais a anca nas mulheres, e tem um erro típico de cerca de 3 a 4 pontos percentuais face a métodos de referência.

Para uma estimativa fiável, escolhe um método e usa-o sempre da mesma forma. A Ovio acompanha o teu peso e a tua evolução ao longo do tempo, o que torna a tendência mais clara do que qualquer medição isolada.

A gordura corporal mede-se por bioimpedância, dobras cutâneas, DEXA ou circunferências, sendo o método Jackson-Pollock validado em 308 homens com correlação superior a 0,90 face à pesagem hidrostática (Jackson e Pollock, 1978).

As balanças de bioimpedância são fiáveis?

As balanças de bioimpedância domésticas não são fiáveis para um número exato e servem melhor para acompanhar a tendência ao longo do tempo. Funcionam enviando uma corrente elétrica fraca pelo corpo e estimando a gordura pela resistência que encontra, mas essa resistência muda com fatores que nada têm a ver com a gordura.

Um estudo com análise de impedância multifrequência registou um desvio médio de cerca de 4 pontos percentuais face ao DEXA, com tendência sistemática a subestimar a gordura corporal (Looney et al., 2024). Isto significa que uma balança que mostra 18% pode corresponder a cerca de 22% reais.

Os fatores que distorcem a leitura são vários:

  • Hidratação: mais água no corpo baixa a leitura de gordura, menos água sobe-a
  • Refeição recente: comer antes da medição altera o resultado
  • Exercício recente: o suor e a redistribuição de fluidos enganam o aparelho
  • Hora do dia: a leitura de manhã difere da do final do dia

A forma de usar bem uma balança destas é medir sempre nas mesmas condições, de preferência de manhã, em jejum e antes de treinar, e olhar para a variação ao longo de semanas em vez do valor de um único dia.

As balanças de bioimpedância domésticas têm um desvio médio de cerca de 4 pontos percentuais face ao DEXA e tendem a subestimar a gordura, por isso servem para a tendência, não para o número exato (Looney et al., 2024).

Percentagem de gordura ou IMC: qual usar?

A percentagem de gordura corporal é mais útil que o IMC para quem treina, porque o IMC não distingue músculo de gordura. O Índice de Massa Corporal divide o peso pela altura ao quadrado e não tem forma de saber se o peso é massa muscular ou tecido adiposo.

É por isso que muitos atletas e praticantes de musculação aparecem com IMC na zona de "excesso de peso" apesar de terem pouca gordura. Um jogador de râguebi de 95 kg e 1,80 m tem um IMC de quase 30, classificado como obesidade, mesmo com 12% de gordura. O IMC está a confundir o músculo com gordura. Para quem quer subir a massa magra que faz esta diferença, o guia como ganhar massa muscular reúne os pilares de treino e alimentação.

Para a população geral, o IMC continua a ser um rastreio rápido e útil. Para quem treina a sério, a percentagem de gordura conta a história verdadeira da composição corporal. A combinação ideal é usar o IMC da Ovio como primeiro filtro e a percentagem de gordura para o detalhe.

A percentagem de gordura é mais útil que o IMC para atletas, porque o IMC não distingue músculo de gordura e classifica muitos praticantes de musculação como tendo excesso de peso.

A gordura corporal em Portugal

Em Portugal, o excesso de gordura corporal é um problema de saúde pública com dimensão nacional. Segundo o Primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico, conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a prevalência de obesidade nos adultos era de 28,7% no total, mais elevada nas mulheres do que nos homens (INSEF 2015).

Estes dados baseiam-se sobretudo no IMC e no perímetro da cintura, medidos em exame físico, e não na percentagem de gordura por DEXA, que raramente é feita em larga escala. Ainda assim, são o melhor retrato da composição corporal da população portuguesa adulta.

Ver resultados do INSEF 2015

Em Portugal, a prevalência de obesidade nos adultos era de 28,7% no total, mais elevada nas mulheres, o que torna a gestão da composição corporal uma prioridade de saúde (INSEF 2015).

Perguntas frequentes

O que é a percentagem de gordura corporal?

A percentagem de gordura corporal é a fração do peso total que corresponde a tecido adiposo, o resto sendo massa magra como músculo, osso, água e órgãos. Divide-se em gordura essencial, mínima necessária para funções vitais, e gordura de armazenamento, a que se acumula a mais. Segundo o American Council on Exercise, a gordura essencial é de 2 a 5% nos homens e de 10 a 13% nas mulheres (ACE). É um indicador de composição corporal mais informativo do que o peso isolado, porque distingue músculo de gordura. Um atleta de 80 kg e uma pessoa sedentária de 80 kg podem ter o mesmo peso e percentagens de gordura muito diferentes. Mede-se por bioimpedância, dobras cutâneas, DEXA ou pelo método de circunferências da Marinha dos EUA.

Como calcular a gordura corporal?

A gordura corporal calcula-se por métodos que vão da estimativa caseira ao exame clínico, com fiabilidade muito diferente. As balanças de bioimpedância domésticas são as mais acessíveis, mas têm margem de erro grande: um estudo verificou um desvio médio de cerca de 4 pontos percentuais face ao DEXA, normalmente a subestimar a gordura (Looney et al., 2024). As dobras cutâneas medidas por um profissional com adipómetro, usando o método Jackson-Pollock, são mais fiáveis (Jackson e Pollock, 1978). O DEXA é o padrão de referência prático. Em casa, o método de circunferências da Marinha dos EUA, que usa pescoço e cintura, dá uma estimativa razoável com fita métrica. Para começar, mede e regista sempre da mesma forma e à mesma hora, para que a tendência ao longo do tempo seja fiável mesmo que o número absoluto não seja exato.

Qual é a percentagem de gordura ideal?

A percentagem de gordura ideal depende do sexo e do objetivo, não existe um número único para todos. Segundo o American Council on Exercise, a faixa de fitness é de 14 a 17% nos homens e de 21 a 24% nas mulheres, e a faixa aceitável vai até 24% nos homens e 31% nas mulheres (ACE). As mulheres têm naturalmente mais gordura essencial por razões hormonais e reprodutivas. Valores muito baixos, abaixo de 6% nos homens e 14% nas mulheres, podem ser perigosos para a saúde. Para um homem que treina no ginásio e quer ver definição abdominal, a faixa de 10 a 15% é um objetivo realista e saudável. Persegue um intervalo saudável, não um extremo de competição.

Qual a fiabilidade da balança de bioimpedância?

Baixa para um número exato: as balanças de bioimpedância domésticas têm margem de erro considerável e servem melhor para acompanhar a tendência do que para dar um número exato. Um estudo com análise de impedância multifrequência registou um desvio médio de cerca de 4 pontos percentuais face ao DEXA, com tendência a subestimar a gordura corporal (Looney et al., 2024). O resultado varia com a hidratação, a refeição anterior, o exercício recente e a hora do dia. Por isso, uma balança que diz 18% pode corresponder a 22% reais. Para usar bem, mede sempre nas mesmas condições, de manhã, em jejum e antes de treinar, e olha para a variação ao longo de semanas, não para o valor de um dia. A Calculadora de IMC da Ovio ajuda-te a ter um segundo ponto de referência.

Próximo Passo

Para teres um primeiro ponto de partida da tua composição corporal, usa a Calculadora de IMC da Ovio e combina o resultado com uma medição de gordura. O IMC dá o panorama geral, a percentagem de gordura diz-te o detalhe.

Para perceberes onde está a gordura que mais importa para a saúde, o artigo Gordura Visceral: O Que É e Como Reduzir explica a diferença entre a gordura à volta dos órgãos e a que fica debaixo da pele.

Para aplicares isto à zona da barriga em concreto, o artigo Como Perder Barriga: Défice Calórico e Proteína mostra como reduzir a gordura abdominal com a ciência por trás.

Fontes científicas

  1. American Council on Exercise. Percent Body Fat Categories. ACE Fitness. Ver tabela

  2. Jackson AS, Pollock ML (1978). Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. PMID: 718832. Ver estudo

  3. Looney DP, Schafer EA, Chapman CL, Pryor RR, Potter AW, Roberts BM, Friedl KE (2024). Reliability, biological variability, and accuracy of multi-frequency bioelectrical impedance analysis for measuring body composition components. Frontiers in Nutrition. Ver estudo

  4. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2015). Primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF 2015). INSA. Ver relatório


Aviso: Este artigo tem fins educativos e não substitui aconselhamento médico ou nutricional personalizado. Consulta um profissional de saúde antes de alterares a tua alimentação.

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